terça-feira, 22 de junho de 2010
Saramago
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Silêncio
E também existem momentos em que a gente se sente num escrito de Kafka, no Castelo.
Percebo que às vezes as pessoas clamam por si mesmas sileciosamente mas sem muito êxito, perdidas no nada.
sábado, 13 de março de 2010
Uma vida sem violência é um direito nosso
sexta-feira, 12 de março de 2010
Adeus Glauco
da escola me dizia que para ele o paraíso era um mundo sem violência. E hoje fico sabendo de mais uma dessas... Que perdurem esta irreverência semeada por ele, o humor, a crítica social, a capacidade em dizer não as injustiças e a atitude de respeitar e preservar a dignidade humana.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Feminicídio durante o Carnaval
Mesmo considerando o avanço tremendo da Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, as narrativas cotidianas das páginas dos jornais assustam, porque evidenciam a virulência com que os casos têm ocorrido, e mais que isto, tem deixado uma lacuna enorme quanto à ação do Poder Público, incluso o Judiciário na coibição destes episódios.
Muitas vezes o que fica é um sentimento de impotência, que talvez fosse minimizado se houvesse uma resposta mais efetiva da ação governamental disseminada com maiores desdobramentos nos Estados com foco em medidas eficientes no enfrentamento à violência de gênero, que tanto quanto a violência urbana tem características específicas e é um problema social grave a ser enfrentado.
O que temos visto com a ampliação do fenômeno da violência contra mulheres é um contexto de feminicídio, em que meninas, adolescentes e mulheres adultas quando não morrem, são usurpadas do seu direito a estar no mundo com segurança, liberdade e dignidade humana.
É difícil imaginar, em pleno Século XXI, que uma mulher pela recusa em atender aos apelos sexuais de seu marido, tenha sido por ele estuprada e perdido parte de sua genitália num ato de agressão. Este grotesco episódio que ocorreu no Brejo Paraibano, no município de Araçagi, nos coloca mais uma vez diante de uma aberração ainda maior, que diz respeito a uma indiferença social diante desta questão.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Em memória de quem partiu, mas que nunca nos deixou

Hoje é Dia dos Mortos, Finados, dia após o Dia de Todos os Santos. É segunda-feira. Aprendi melhor sobre a finitude da vida indo ao cemitério. Foi há algum tempo atrás, na minha infância.
Era levada por minha mãe para rezar junto ao túmulo da minha avó. Era um ritual. Nestas idas e vindas à Casa dos Mortos me chamava à atenção as flores que nasciam no lugar, as borboletas, os pés de manjericão e de modo muito particular as fotografias. Amava ver as imagens, pois era como adentrar num portal em busca de um tempo que nunca me pertenceu e do qual pouco, muito pouco saberia.
Estas coisas me tiravam o temor em observar as Casas Desabitadas que eram os mausoléus. Apesar dos momentos solenes da oração, do silêncio das lágrimas saudosas, havia também a possibilidade de brincar no labirinto entre as covas, correr no Cemitério, brincar de esconde-esconde.
Quando a infância por mim passou deixei de correr nestes labirintos, mas sobraram os momentos solenes de oração e lágrimas saudosas, permaneceram as imagens imortais e também o sentido sobre a vida e morte.
Ao assistir Volver, filme do Almodóvar, reencontrei-me com este momentos do meu jardim secreto de memórias e quando li sobre a vida de Frida Kahlo compreendi melhor porque o Dia de Finados era, apesar da morte, tão divertido. Quer no México ou em Patos, sertão da Paraíba, permanecia de certo modo, no inconsciente coletivo, a percepção de que morte e vida não são assim tão irreconciliáveis.
E o Dia de Finados, afinal, era um momento de preciosos encontros: entre pessoas de um mesmo lugar, de gente que há muito tempo não se via, entre desconhecidos, amigos, inimizades (onde o perdão tornava-se até algo possível), amores... dia de compartilhar o pão, momento de multiplicar-se.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Contrato com Deus

Li recentemente Will Eisner,uma clássica obra em HQ, reeditada por Devir Quadrinhos e comprada na Banca do Farias. Depois de escrever uma tese precisava me purificar. Primeiro veio Mundo Pet, do Lourenço Mutarelli, irresistível. Logo após veio a graphic novel do Eisner. A história que dá título a coletânea, Contrato com Deus (lançada em 1978, e contendo quatro histórias sobre a vida no Bronx dos anos 30), me habitou, e ainda estou com ela, guardada em um lugar secreto que nem sei se ouso tocar com tamanha intensidade com a qual o autor a construiu a partir de si mesmo e seu diálogo/conflito com o Divino.
A leitura voraz dos quadrinhos de Eisner revitalizaram a memória dos inúmeros contratos invisíveis construídos com o Sagrado ao longo dos meus dias, feitos à revelia dos corretores imobiliários da fé. Contratos muitas vezes sem palavras, ou papiro... Uns fiz ao vento, muitas vezes sentindo-me a mais especial das criaturas, outros no entanto, no subterrâneo, balbuciando, na tentativa de encontrar as asas ou os fios que me tirassem de alguns labirintos.
Na paisagem urbana de um cortiço, onde o que mais parece estar em evidência é a condição humana, Eisner desenha brilhantemente becos, personagens multiculturais, situações “fictícias” de mundos reais, demonstrando como um microcosmo pode ser expressão de questões tão universais como as perdas, a solidão, a solidariedade, o velho e o novo, a finitude e o renascimento. No cortiço descrito por ele o Sagrado deixa seus sinais nos umbrais das portas tal qual no Velho Testamento. Os personagens parecem bodes expiatórios de uma sociedade messiânica. Lembrei muito dos estigmatizados descritos por Goffman, inevitável.
Confesso que esta leitura está em aberto. De fato Eisner com sua genialidade e traços marcantes nos ajuda um pouco a rasgar o véu dos templos ...




